Motivação e dedicação acima de tudo

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Oleg "Reativo" Ralchenko teve grandes objetivos para 2017 e este ano não será exceção! O jungler dos Doxa Gaming, está confiante com a sua nova equipa e apesar de novos, diz que os seus colegas têm o que é preciso para chegar pelo menos ao top 4 da Moche LPLOL. Já esteve em algumas equipas de topo portuguesas, passou pela liga alemã, mas foi em Portugal que decidiu competir este split. Estivemos à conversa com o Reativo para nos contar como correu 2017 e o que podemos esperar dele e deste novo roster dos Doxa para 2018. 

Olá, antes de mais uma curiosidade. O 1 no nome Reat1vo é porque trabalhas para ser o número um ou foi só coincidência?
Nunca tinha pensado nisso, mas agora deste-me uma boa ideia. Foi coincidência. Para mim eu já sou nº1, de Portugal pelo menos, por isso até na camisola dos Doxa já tenho o meu nome com “i”.

Numa conversa que tivemos em Janeiro de 2017 tinhas objetivos altos, e para te focares no jogo a tempo inteiro decidiste parar a faculdade. Como correu 2017 para ti?
Não correu da maneira que estava à espera. Na altura estava na Alientech, tínhamos ganho aos K1ck no qualificador da CS e estávamos a jogar muito bem, pelo que só nos imaginava na Challenger Series e a mantermo-nos todos juntos, independentemente de quem representássemos. Mas, as coisas não correram bem. Estávamos a jogar separados, 3 na gaming house em Espanha com o Fintas, enqunto que o coach e o resto da equipa estavam em Portugal. Acho que adaptamos-nos mal, não jogamos bem a primeira jornada e a partir daí foi sempre a piorar. Era a primeira vez que estava na melhor equipa portuguesa e senti uma coisa que nunca tinha sentido antes. Por estar numa equipa de topo como os K1ck que raramente perdia, o ganhar era já um hábito e nada mais que a nossa obrigação, pelo que não havia felicidade nem emoção nenhuma depois de ganharmos um jogo, nem os nossos amigos nos davam os parabéns, mas se perdessemos ficávamos lixados e as pessoas ainda pareciam gostar do facto de não termos ganho. Ao longo do tempo fui percebendo que é preciso gostar e celebrar as pequenas vitórias que temos, não interessa contra quem jogas tens de ficar contente com o teu resultado. E na altura se calhar estávamos demasiado arrogantes e independentemente do resultado em Portugal sentia-me mal, não sei porquê. Quando estávamos em Espanha, por exemplo, eu estava a jogar pior que qualquer jungler, só que a minha equipa era tão boa que eu não precisava de jogar bem. O que é mau porque começas a desleixar-te na tua performance. Eu tendo noção como me estava a sentir, quando deram a hipótese nos K1ck de mudar o mid ou o jungler eu decidi sair, porque já não me estava a sentir feliz nem realizado. 2017 foi bom para me aperceber de certas coisas e dar valor a outras.

Conseguiste estar na equipa nunca derrotada na scene portuguesa. O objetivo de seres o jungler nº1 foi atingido?
Sim, e continuo-me a achar o melhor neste momento, simplesmente na altura devido às circunstâncias comecei a desmotivar, e como sou um jogador muito instintivo a falta de motivação fez com que começasse a jogar mal.

No final de Junho os K1ck decidiram colocar o import Pong. Já estavas à espera? Como reagiste?
Não, não estava nada à espera, fiquei até surpreso. Eu sei que quando algo corre mal nos K1ck há sempre mudanças. Sabia que alguma coisa haveria de mudar, mas não estava à espera que fosse assim. Um dia chamaram-me ao TS e informaram-me que tinham analisado a equipa e os jogadores que estavam a ter pior performance eram eu e o Aziado Iam fazer trys para as nossas posições e experimentar outros jogadores, e se quiséssemos podíamos participar nas trys. Mas eu não quis sequer fazer as trys e saí dos K1ck.

O que se seguiu ao verão foi planeado ou foste deixando acontecer? Andavas à procura de team ao mesmo tempo que competias noutros torneios e ligas?
Eu tinha como objetivo chegar a challenger para conseguir receber propostas europeias boas, por isso nada melhor que estar a competir para motivar e não ficar parado. Para isso decidi entrar na Superliga ao mesmo tempo que estava na 2ª divisão da liga alemã. Tinha o dia cheio de scrims, jogos e estava a gostar do que estava a fazer. A worten foi só para ganhar free money.


Reativo na 1ª split da Moche LPLOL

Tiveste propostas para o estrangeiro? O que te fez continuar a competir em Portugal?
Sim, para uma equipa da LCS turca, os Galakticos. Eu tinha a certeza que ia para lá, só que os meus pais não queriam que eu fosse, mas embora eu fosse à mesma comecei a jogar mal novamente e eu não queria ir para uma equipa fazer má performance, pelo que acabei por recusar a proposta e decidi voltar a focar-me em mim mesmo. Eu não tinha intenções de competir em portugal, simplesmente queria dedicar-me só a melhorar-me.

Então o que te fez aceitar a proposta dos Doxa?
Gelado de Vodka. Foi o que teve o peso mais decisivo.

Em dezembro de 2017 participaste na final do torneio Omen by HP Game Challenge #2, pelos Doxa. Já se avizinhava uma proposta para integrar a equipa, ou estavas longe de imaginar?
Não estava longe de imaginar, porque já me tinham querido antes na equipa só que eu não podia competir mais na Moche LPLOL de 2017, devido a ter ido para a Superliga após ter feito os Relegations com o Boavista. Eu não contava que os Doxa se separassem e estava à espera de uma possível proposta para a equipa de 2017.

Os Doxa conseguiram na Grande Final ficar em segundo, ganhando até um jogo aos K1ck. Mas, por muitos os Doxa já não são considerados uma grande ameaça, tirando inclusive a equipa do top 3. Porque achas que têm esta opinião?
Isso é o problema de Portugal. As pessoas olham para uma equipa composta por jogadores randoms, ou que viram jogar poucas vezes e esperam logo pouco dessa equipa. Mas, na minha opinião este ano o top 3 está bastante difícil de classificar. Eu disse à minha equipa que é normal subestimarem-nos e para não ficarem chateados, porque depois é muita pressão psicológica e isso pode influenciar o jogo deles, tendo em conta que são jogadores novos.

Concordas que os Doxa têm muito para provar em 2018 devido à aposta que fizeram no roster?
O nosso objetivo na fase regular é no mínimo top 4. Temos andado a treinar contra equipas challenger precisamente para estarmos preparados. Nos playoffs temos possibilidade de ganhar a qualquer equipa, porque em lan o pessoal joga diferente do que joga em casa e acho que temos mais hipóteses de ganhar a essas equipas em lan do que online.

Em 2017 tiveste a oportunidade de mostrares tudo o que valias como jungler devido aos fortes laners que jogavam contigo. Este ano contas com o mesmo apoio?
Eu acho os meus laners bons, desde a primeira scrim que fizemos que notei que temos um team play e uma comunicação forte. Tendo em conta a meta atual, o jogo individual já não sobressai e lanes perdidas já não influenciam muito o resultado final, sendo enfatizado o jogo em equipa e é com esse tipo de estratégia que se ganha. O que acaba por nos favorecer, pois mesmo não tendo os melhores jogadores, temos um jogo de equipa forte.

A equipa está com jogadores que nunca jogaram juntos, achas que vai ser um desafio criar a sinergia certa?
O que é preciso é ter vontade e estar motivado. Eles todos ouvem-me e fazem o seu melhor. Eu acredito que daqui a dois meses, se continuarmos a treinar como temos feito, vamos chegar ao fim e conseguir, pelo menos, o um igual contra as equipas mais fortes.
O nosso calendário é muito bom, porque jogamos contra equipas mais fracas no início e só defrontamos as mais fortes no final do calendário tendo até essa data espaço para evoluirmos.

Continuas a ser o jungler em Portugal com o melhor early game?
Sim, claro. Agora devido à meta de tanks é um pouco difícil de mostrar, mas sim.

Continuarás a ser a energia motora que colocará o jogo a rolar desde muito cedo?
Sim, nem que seja com wards.

Estão a conseguir aproveitar bem a vantagem do early game?
Sim, nós quando ficamos à frente ganhamos quase todos os jogos. O problema é ficarmos à frente (risos), já nem me lembro de uma scrim que tenhamos ficado à frente. Mas quando ficamos atrás conseguimos dar um bom stall e aguentar o jogo, o que para mim é o mais importante. O ter um bom início depende muito de mim, e nem sempre vou conseguir isso, mas o conseguir dar a volta, ter boas team fights e não perder o jogo aos 20 minutos contra equipas muito boas, isso é o que eu gosto mais nesta equipa.

Sempre preferiste ter um gameplay agressivo o que pode correr muito bem ou muito mal, daí seres chamado de coin flipper. Vais continuar a ter este estilo de jogo?
Ser agressivo é sempre bom. O problema não está no estilo de jogar, mas sim no facto de o meu cérebro ás vezes ter paragens, daí o ser coin flipper. Mas sim, vou continuar a ter um playstyle agressivo.

Não é um playstyle que requer um tipo específico de team mates, que podes não ter nesta equipa?
Eu tenho, porque eles ouvem-me. Não é tanto o tipo de team mates, mas o ouvirem as calls e fazerem o que digo.

Vais portanto continuar como shot caller?
Claro, tenho de ser shot caller em todas as equipas onde estou.

Em Penafiel vão defrontar os Why. Achas que é uma equipa que pode surpreender?
Não, não acho que consigam. Nós scrimamos contra equipas muito melhores que nós para não sermos surpreendidos, nem pelas equipas mais fracas nem pelas mais fortes da Moche LPLOL.

Alguma previsão para dia 3 a nível de todos os jogos?
Eu não sei quais são todos os jogos, mas sei que os uP, os k1ck, nós e a FTW vão ganhar. Se estas equipas jogarem mal, óbvio que vão perder, mas supostamente com o roster que têm ganham.

Algum jungler que tenhas um gosto especial em defrontar? Porquê?
Eu gostava de jogar contra o Davey, pena que ele tenha saído da FTW. Foi com ele que aprendi a jogar, pelo que queria ver se o aprendiz superou o mestre. Também gostava de jogar contra o LeChase para me redimir da derrota que tive quando joguei pelos Doxa no torneio da Omen. Eu não sei o que se passou, mas eu estava a jogar mesmo mal, enterrei os jogos todos quase sozinho e mesmo o jogo que ganhámos eu não fiz nada. Jungler estrangeiro gostava de jogar contra o Gilius que ele tem a mania e precisa levar um invade.

Com mudanças a acontecer não só na Moche LPLOL como a nível europeu, que objetivos tens com os Doxa? E como jogador individual?
Para além do top 4 é termos melhor performance. Quando jogarmos o nosso melhor possível e mesmo assim perdermos, que seja porque a outra equipa era mesmo muito boa e merecia ganhar. Eu estou confiante que se nós estivermos sempre na nossa top performance, ou ganhamos tudo ou se perdermos é porque a outra equipa merecia ganhar. Os meus objetivos individuais para 2018 é chegar à LCS, vou fazer tudo por tudo. Vou chegar a challenger daqui a pouco e quero-me manter nesse rank a season toda. Quando estiver no meu melhor, conseguir chegar ao rank #1 na ladder europeia, se não conseguir que ao menos me mantenha nos 600/ 700 pontos.

Alguma mensagem que desejes enviar para colmatar esta entrevista?
Acompanhem os jogos dos Doxa e comprovem como jogadores da minha equipa são bons. Apoiem-nos, não os mandem abaixo, a mim podem que não me importo, mas a eles dêm força que é assim que jogadores novos ganham motivação e ânimo para jogar e conseguir objetivos.

Terminamos assim a entrevista ao Reativo com uma promessa confiante e segura de bons resultados e performance por parte dos Doxa.

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Podem também acompanhar a equipa dos Doxa Gaming no Facebook e no Twitter.

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